A Meta, empresa controladora do Instagram e do Facebook, começou a tornar indisponíveis no Brasil publicações que contenham sinais técnicos de uso de inteligência artificial (IA), em cumprimento à Resolução 23.755 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida, anunciada em comunicado da própria Meta na quarta‑feira (21/10/2026) e aplicada a partir de quinta‑feira (22/10/2026), atinge tanto conteúdos gerados por IA quanto arquivos editados com ferramentas que deixam marcas técnicas da tecnologia, ainda que o material não tenha sido fabricado artificialmente.
Entre os posts bloqueados estão uma análise do canal “Exército do Lula” feita pelo Poder360, uma reportagem sobre a garrafa de whisky de R$ 500 mil que o empresário Daniel Vorcaro teria procurado presentear ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma publicação envolvendo o cantor MC Cabelinho e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A Meta esclareceu que a presença de marcas técnicas de IA nos arquivos não implica necessariamente em manipulação proibida, mas que o algoritmo da empresa os identifica automaticamente e os remove para garantir o cumprimento da regra eleitoral.
A Resolução 23.755, vigente desde 22/10/2026, proíbe a publicação, republicação e o impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nos dias que antecedem a votação do domingo (25/10/2026). A norma permite exceções para ajustes de qualidade de imagem ou som e para a criação de elementos gráficos de identidade visual, como vinhetas e logomarcas.
A iniciativa da Meta não impede a circulação de notícias, fotografias reais, entrevistas ou publicações jornalísticas sobre os candidatos, mas visa evitar a difusão de materiais sintéticos que possam confundir o eleitorado em um período crítico da campanha. Até o momento, a empresa não detalhou quantas publicações foram removidas nem divulgou critérios específicos de revisão humana dos conteúdos bloqueados.
