O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçou no mercado financeiro a expectativa de alternância de poder e de mudanças na condução da política fiscal. Em entrevista à Jovem Pan, neste sábado (10/10/2026), o economista Jason Vieira relacionou a reação das bolsas e do câmbio ao resultado do primeiro turno, avaliando que investidores voltaram a considerar a possibilidade de um governo mais disposto a promover reformas e reduzir despesas públicas.

Segundo Vieira, a aposta em um ajuste fiscal perdeu força quando Flávio recuou nas pesquisas, mas ganhou impulso após a votação de domingo (4/10). Ele atribuiu a mudança de expectativas à forte movimentação dos ativos na segunda‑feira (5/10), quando a Bolsa chegou a superar 8 % de alta durante o pregão e o dólar recuou em direção à marca de R$ 5, refletindo a expectativa de mudanças na política econômica.

Ao ser questionado sobre a proposta de cortar R$ 200 bilhões em despesas no primeiro ano de um eventual governo Flávio Bolsonaro, Vieira afirmou que o objetivo seria difícil de cumprir de imediato. Ele ressaltou que a dimensão de um ajuste dependerá de uma avaliação detalhada do Orçamento e da estrutura de gastos do governo federal, e que o caminho exigiria negociações e reformas estruturais.

A matéria destaca que o avanço de Flávio no primeiro turno reavivou no mercado a discussão sobre a possibilidade de um governo que busque reduzir gastos públicos, embora a viabilidade de um corte tão ambicioso ainda seja incerta.