Em entrevista concedida ao Estadão nesta quarta‑feira (21/10), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como "destruição" as ameaças de troca de embaixadores e de reforma das regras do serviço exterior defendidas por aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O chanceler também disse que figuras ligadas ao ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, teriam se posicionado a favor de um dos candidatos nas eleições brasileiras, mas ressaltou que cabe ao eleitorado decidir nas urnas se houve ou não intromissão estrangeira no pleito.

Vieira ainda criticou Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro e ex‑deputado cassado, afirmando que não o conhece e que “um sujeito que pede terra arrasada, que pede tarifa e tudo mais” não tem prioridade em sua agenda. O ministro defendeu que a política externa do Brasil continua baseada no diálogo com todos os países, independentemente de ideologias, e que o país não está em isolamento, mantendo contato com os Estados Unidos e demais nações.

Ao ser questionado sobre suposta ideologização da política externa por parte da campanha de Flávio Bolsonaro, Vieira negou qualquer contaminação ideológica, destacando que o Brasil mantém relações diplomáticas e participa de fóruns multilaterais com base no interesse nacional. Não houve comentários sobre nomes específicos do projeto de política externa da campanha bolsonarista, além da referência a Eduardo Bolsonaro.

A entrevista foi publicada pelo Estadão às 05h30 de 21 de outubro de 2026, poucos dias antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro de 2026.