Um estudo publicado na revista *Disaster Risk Science* revelou que, em 24 de outubro de 2026, mais de 30% dos municípios do Brasil não possuem plano de contingência para enfrentar desastres climáticos. A pesquisa, que contou com respostas de 2.289 municípios (41% dos 5.570 existentes), também apontou que 37% das cidades carecem de um sistema próprio de alerta precoce.
Segundo o sociólogo Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coordenador do estudo, a falta de planos e de alertas locais deixa a população vulnerável, sobretudo diante das previsões de um El Niño 2026‑2027 que pode elevar a temperatura do oceano Pacífico em mais de 3 °C. O fenômeno deve intensificar chuvas no Sul e gerar secas extremas no Norte e Nordeste, aumentando a necessidade de sistemas de alerta eficazes.
A metodologia adotada pelos cientistas, denominada “Capacidade de Implementação de Sistemas Locais de Alerta Precoce”, segue os parâmetros da iniciativa global Early Warnings for All (EW4All), criada pela ONU em 2022. Até o momento, 119 países já aderiram ao programa, que tem como meta universalizar sistemas nacionais de alerta até o final de 2027.
Os pesquisadores avaliaram sete dimensões da preparação municipal, incluindo a estrutura da Defesa Civil, orçamento disponível, mapeamento de áreas de risco e estratégias de comunicação com a população. Os resultados indicam que, além da escassez de recursos humanos e financeiros, há lacunas significativas na governança e na participação da sociedade civil nos processos de prevenção.
