O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está buscando reverter o desgaste que a esquerda provocou ao associar o “CEO de MEI” – expressão satírica usada para descrever eleitores de esquerda que se identificam com a direita – a microempreendedores individuais (MEIs). Na análise WW, realizada em 13 de outubro de 2026, a âncora Thais Herédia destacou que Lula tem apostado em benefícios financeiros diretos para o público de baixa renda, como o perdão de dívidas para MEIs e a ampliação do programa Pé‑de‑Meia para estudantes universitários.

A estratégia, segundo Herédia, visa compensar a falta de comunicação efetiva do presidente com os jovens, que têm sido alvo de críticas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A campanha de Flávio, que já demonstra preocupação com a receptividade do candidato entre os jovens, observa que Lula tem se concentrado em propostas econômicas que prometem impacto direto no bolso dos eleitores.

Em entrevista à própria campanha de Bolsonaro, a âncora apontou que Flávio “vai mal entre os jovens” e que a maior preocupação da equipe é manter a mobilização do voto jovem, especialmente após as demonstrações de apoio ao candidato na última semana.

Herédia concluiu que a iniciativa de Lula “não se importa com a lei eleitoral, com a liturgia institucional e com o risco moral”, mas que a distribuição de recursos pode ser um fator decisivo para atrair a parcela de eleitores que ainda não se mobilizou.

A matéria faz parte da série WW Talks, que reúne análises de movimentos políticos e econômicos em parceria com a Galapagos Capital e o grupo Eurasia.