No vídeo divulgado na quinta‑feira (08/10/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar o ajuste fiscal no centro do debate com Flávio Bolsonaro (PL). Lula perguntou quais despesas seriam afetadas pelo corte de R$ 200 bilhões no orçamento, insinuando que programas sociais perderiam recursos se o candidato fosse eleito. Flávio negou a acusação, reafirmando o compromisso de preservar benefícios e conceder reajustes às aposentadorias acima da inflação.

A ofensiva ganhou força após a divulgação de estudos da equipe econômica de Flávio que apontam economias de até R$ 250 bilhões, incluindo mudanças na correção de benefícios previdenciários e assistenciais e nos pisos de saúde e educação. A campanha de Flávio contestou que tais discussões são informais e não substituem o programa registrado nem os compromissos públicos do candidato.

O embate chegou à Justiça Eleitoral. Na sexta‑feira (09/10/2026), o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a retirada do vídeo em que Lula associava o ajuste a perdas em programas específicos, alegando falta de respaldo objetivo para atribuir tais propostas ao adversário.

Do lado de Flávio, a resposta é que a economia deve começar pela estrutura do Estado: extinguir ao menos 10 ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas, combater supersalários e fraudes e retomar desestatizações e concessões. O coordenador econômico, Adolfo Sachsida, reiterou que o esforço atingirá excessos governamentais, preservando programas sociais, e propõe substituir o arcabouço fiscal por uma regra voltada à estabilização da dívida.

A equipe de Flávio estuda uma proposta de emenda à Constituição para encaminhar o ajuste ainda na transição, caso vença, buscando reduzir despesas e a necessidade de financiamento do governo.

A matéria foi publicada pela Gazeta do Povo em 10/10/2026 às 13:59.