No dia 30 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso seja reeleito, pretende criar uma empresa pública para atuar na distribuição de combustíveis, com o objetivo de ampliar a capacidade do governo de influenciar os preços da gasolina e do diesel. Em entrevista no Palácio do Planalto, Lula declarou: “Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez”.
A proposta surge após o recuo do governo em relação à criação da estatal Terrabras, anunciada em abril de 2026, e substitui a estratégia de estruturar apenas um conselho ligado à Presidência para intervir no setor. O plano agora contempla a possibilidade de constituir uma nova estatal ou de utilizar a Petrobras como subsidiária para retomar a presença do Estado no mercado de distribuição, segmento que a União deixou de atuar diretamente em 2021.
Na Câmara dos Deputados, o líder do PT, deputado Pedro Uczai (SC), apresentou o Projeto de Lei 1.853/2026, que autoriza a União a instituir empresa estatal ou subsidiária de sociedade de economia mista federal para a distribuição de combustíveis, biocombustíveis e GLP. O texto destaca a necessidade de garantir soberania energética, segurança de abastecimento, modicidade de preços e defesa do consumidor, criticando, ao mesmo tempo, as recentes vendas de ativos da Petrobras, como a antiga BR Distribuidora, transformada em Vibra Energia.
A iniciativa representa a segunda proposta de criação de estatal no atual mandato de Lula, após a sanção da lei que autorizou a criação da Empresa Brasileira de Mineração de Terras Raras (Terrabras) em janeiro de 2025, que acabou sendo abandonada por resistência interna. Caso avançada, a nova estatal de combustíveis poderia alterar a dinâmica do setor, que atualmente é dominado por empresas privadas com participação de mercado de 22% da Vibra Energia.
Fonte: Gazeta do Povo (08/10/2026).
