O Partido dos Trabalhadores (PT) está revisando sua estratégia para o segundo turno das eleições, focando na mobilização seletiva de eleitores nos estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera, sobretudo no Nordeste. Um documento interno, obtido pela VEJA, indica que a meta inicial de converter 40% dos abstêmios do primeiro turno foi reavaliada; agora o objetivo é concentrar esforços apenas nas regiões onde Lula tem vantagem, buscando evitar que a mobilização de eleitores ausentes beneficie o adversário.
A estratégia parte do pressuposto de que, no primeiro turno de 4 de outubro, mais de 33 milhões de eleitores ficaram ausentes. Se 40% desses abstêmios comparecessem ao pleito do dia 25 de outubro e votassem em Lula, a vitória seria garantida, segundo o plano. Contudo, especialistas apontam que esse cálculo ignora cadastros desatualizados, eleitores falecidos, hospitalizados ou impossibilitados de se deslocar, além de menores de 18 anos, maiores de 70 e analfabetos, que não são obrigados a votar.
O documento orienta ainda aliados e militantes a estimular o comparecimento apenas onde Lula tem liderança, com a diretriz “no Nordeste, sim; fora dele, só onde Lula lidera”. Essa orientação visa otimizar recursos e evitar a expansão de votos para o candidato da oposição em regiões onde o PT está em desvantagem.
A VEJA recebeu o material de circulação restrita do QG petista e destaca que, até o momento, não há declarações oficiais do presidente ou do partido sobre a viabilidade ou ajustes da meta. O plano ainda carece de confirmação pública e será objeto de análise nas próximas semanas, à medida que se aproximam as eleições do segundo turno.
