Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem conduzido seu governo a uma ruptura com a ampla coalizão que o elegeu em 2022, adotando um discurso cada vez mais voltado para as classes populares. Desde a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, anunciada em 2024, até a aprovação, em 14 de outubro de 2026, da extinção da escala 6×1 no Senado, o presidente tem se posicionado contra os grandes conglomerados financeiros, os bancos e as apostas, defendendo a taxação de rendas superiores a cinquenta mil reais mensais.

A mudança de postura começou em junho de 2025, quando o governo recuou diante da derrota do decreto que aumentava o IOF, e passou a atacar os “BBB” (bilionários, bancos e bets). Em agosto do mesmo ano, o slogan oficial foi alterado de “União e Reconstrução” para “Do lado do povo brasileiro”. Em novembro, com apoio político impulsionado por um encontro entre Donald Trump e Lula na Malásia, o Congresso aprovou por unanimidade a taxação de super‑ricos e a isenção para quem ganha até cinco mil reais.

No primeiro de maio de 2026, Lula realizou um discurso considerado o mais classista de seus mandatos, reforçando a oposição à austeridade e defendendo a manutenção de recursos para os mais vulneráveis. Em setembro, durante a campanha eleitoral, o presidente encerrou o apoio às apostas. Já em 15 de outubro, em entrevista ao vivo à Rede Globo, reiterou que não pretende cortar recursos dos pobres para ajustar as contas públicas.

O texto destaca que, ao longo de seus três mandatos, Lula tem equilibrado pressões entre a esquerda e o mercado, mas que a atual fase marca uma virada decisiva ao colocar o combate ao capital de direita como eixo central de sua agenda política. Fonte: CartaCapital (https://www.cartacapital.com.br/politica/a-batalha-epica-de-lula/).