No domingo (18/10), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Nantes Bolsonaro (PL) participaram do primeiro debate das eleições presidenciais realizado pela TV Bandeirantes. O encontro, transmitido ao vivo, foi marcado por trocas de acusações e intervenções dos mediadores. Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro e sobre a defesa de um acusado de assassinato de criança, além de indagar sobre a proximidade de assassinos da vereadora Marielle Franco e a posição do candidato em relação à marcação numerária nas cápsulas de munição. Flávio, por sua vez, não respondeu a esses questionamentos e voltou a atacar o filho de Lula, Fábio Luís, que está sob investigação por suposto esquema de tráfico de influência, além de culpar o governo Lula por supostos desvios no INSS.

No bloco de propostas, Flávio afirmou que pretende classificar as facções criminosas como narcoterroristas e criar 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito. Lula, por outro lado, anunciou a criação do Ministério da Segurança Pública para coordenar ações de combate à criminalidade entre municípios, estados e a União. Sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio sugeriu a nomeação do médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, como ministro da Saúde, enquanto Lula rebateu a ideia, acusando o candidato de querer privatizar o sistema público.

O debate também abordou a condução da pandemia de Covid‑19. Lula recordou os mais de 716 mil mortos entre 2020 e 2022, atribuindo a responsabilidade ao governo de Jair Bolsonaro, enquanto Flávio defendeu a atuação de seu pai. Em outra rodada, Flávio criticou a política de “saidinhas” – saídas temporárias de presos – e acusou Lula de priorizar direitos de condenados em detrimento das vítimas. Lula respondeu que a medida deve ser mantida apenas para presos que apresentem bom comportamento e não tenham cometido crimes graves, como estupro ou violência contra mulheres.

A transmissão contou com a mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, que intervieram em momentos de interrupção e troca de falas entre os candidatos. O debate, ainda que marcado por confrontos, serviu para que ambos apresentassem suas propostas e linhas de ataque antes do segundo turno previsto para 25/10/2026.