No domingo (18/10), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a da aliança de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a acelerar ações para tentar levar às urnas os cerca de 33 milhões de eleitores que deixaram de votar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Os dois candidatos reconhecem que a taxa de abstenção foi recorde – 21,1 % (33,4 milhões de eleitores) – e que o diferencial de votos entre eles foi de apenas 2,2 milhões, o menor da história.

Lula afirmou que “são 30 milhões que não foram votar; possivelmente tem uma causa: desinteresse. A responsabilidade é nossa de devolver o interesse para ele participar do processo eleitoral”. Já Flávio Bolsonaro alertou que muitos eleitores que compareceram ao primeiro turno podem achar que “já está tranquilo” e deixar de votar no segundo turno, pedindo que “não façam isso”.

Um documento interno da campanha de Lula, obtido pela VEJA, destaca a necessidade de combater a abstenção e, ao mesmo tempo, reconquistar apoiadores perdidos nas últimas eleições, além de captar votos de candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). A estratégia petista inclui foco no Nordeste, região onde a abstinência costuma ser menor para o candidato da esquerda, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, aposta em mensagens de urgência e mobilização nas redes sociais, buscando impedir que eleitores que já votaram no primeiro turno se sintam “tranquilos” e deixem de comparecer às urnas no dia 25 de outubro. Ambas as frentes pretendem transformar o número de faltosos em votos decisivos para o segundo turno da disputa presidencial.