O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) delinearam, em suas plataformas, caminhos diferentes para enfrentar a cobrança de tarifas de 37,5% imposta pelos Estados Unidos, que afeta 23,1% das exportações brasileiras ao mercado americano, equivalentes a US$ 6,6 bilhões.

Especialistas apontam que, enquanto o governo Lula pretende manter a autonomia estratégica, reforçar o multilateralismo e buscar a redução das tarifas por meio da Organização Mundial do Comércio e de um grupo de trabalho bilateral, Flávio Bolsonaro defende a recomposição da relação com Washington, buscando maior proximidade política e a ampliação da integração econômica com os polos dos EUA.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) já registrou que o Brasil recorreu à OMC em julho de 2026 e, em setembro, iniciou conversas bilaterais para discutir um acordo comercial que possa aliviar o peso das sobretaxas. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou que o objetivo brasileiro é a redução integral das tarifas.

Segundo o professor Jarbas Thaunahy, da Strong Business School, a diferença principal entre os cenários reside na abordagem diplomática: o governo Lula prioriza o diálogo com múltiplos polos de poder, enquanto um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia buscar alinhamento mais estreito com a administração de Donald Trump, sem garantia de diminuição das tarifas ou de novos investimentos.