No sábado (17/10), durante a campanha para o 2º turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou a importância do bloco dos BRICS, citando-o três vezes em seu plano de governo e propondo que o grupo possa substituir o G20 como principal fórum econômico mundial. Lula destacou o potencial de crescimento do bloco, que representa quase metade da população e do PIB global, e reforçou a parceria geopolítica com os países fundadores – China, Rússia, Índia e África do Sul – bem como com os novos membros, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Em contraste, o senador Flávio Bolsonaro (PL) sugeriu a retirada do Brasil do BRICS, embora não tenha mencionado o bloco diretamente em seu plano de governo, que contém apenas seis referências ao tema. A proposta de Flávio indica uma orientação de maior aproximação com os Estados Unidos, conforme sua participação na Conferência de Ação Política Conservadora nos EUA, no Texas.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, de janeiro a setembro de 2026, os países originais do BRICS compraram US$ 95 bilhões em exportações brasileiras, evidenciando a relevância econômica da aliança para o país. A ex‑presidenta Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS, também defende a desdolarização das transações entre os membros, medida apoiada por Lula.

A divergência de posicionamentos entre os dois candidatos evidencia uma das principais linhas de disputa na campanha: a continuidade da estratégia multilateral de Lula versus a proposta de alinhamento mais estreito com os EUA defendida por Flávio Bolsonaro. O debate deverá se intensificar nas próximas semanas, à medida que o eleitorado se prepara para o segundo turno marcado para 25 de outubro.