Na cerimônia de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição que elimina a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou as declarações de setores produtivos contrárias à medida. Em discurso improvisado, Lula qualificou de “mentiras” as alegações de que o fim da escala provocaria crise econômica, afirmando que ninguém deseja que empresas quebrem, mas também ninguém quer que trabalhadores morram por falta de descanso.

O presidente destacou que a lei aprovada é clara ao garantir que “qualquer problema será discutido e resolvido”, e lembrou que o setor produtivo já havia se oposto a outras conquistas trabalhistas, como o 13º salário e as férias remuneradas. Lula ainda usou o momento para lançar críticas à oposição, citando o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que pretende, caso seja eleito presidente, propor mudanças na Constituição, inclusive a remuneração por hora.

Ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), Lula reforçou que a aprovação da PEC contou com ampla maioria no Congresso na quarta‑feira (14/10) e que os impactos sobre microempreendedores foram considerados nas consultas públicas. Alcolumbre, por sua vez, afirmou que precisou de “muita coragem” para encaminhar a votação em período eleitoral, enquanto Motta destacou a responsabilidade na elaboração da norma.

A crítica de Lula ao setor produtivo surge em um contexto de intensas discussões sobre a agenda trabalhista do governo e das propostas da oposição para o próximo ciclo eleitoral. A medida já foi promulgada e entra em vigor, marcando a primeira redução da jornada semanal para 40 horas no país.