O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (20/10) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno, só poderá participar do debate da TV Globo, marcado para a próxima sexta-feira (23/10), se apresentar um documento autorizando a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Durante discurso em ato de campanha na ponte sobre o Rio São Francisco, entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), Lula declarou: “Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou, segundo o Estadão.

A declaração ocorre após a campanha de Lula protocolar nesta terça-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma autorização para a divulgação dos sigilos do presidente e de seus familiares. A petição condiciona a liberação das informações à concordância de Flávio Bolsonaro em fazer o mesmo em relação a si próprio e à sua família. O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação dos dados no sistema DivulgaCandContas do TSE ou em outro site de acesso público.

No caso de Lula, a medida alcança a primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e seus cinco filhos. Em relação a Flávio, o desafio inclui a esposa, Fernanda Bolsonaro, os pais, Jair e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos (senador eleito por Santa Catarina), Eduardo e Jair Renan (deputado federal eleito por Santa Catarina). A iniciativa foi lançada por Lula durante o debate Band/Estadão no domingo (18/10), ocasião em que Flávio Bolsonaro ironizou a proposta e não confirmou se autorizaria a divulgação das informações.

O ato de campanha contou com a presença do governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT). O episódio adiciona uma nova tensão à disputa pelo Palácio do Planalto, com cinco dias restantes para o segundo turno.