Em entrevista ao Poder360, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou um conjunto de medidas que totalizam R$ 463,8 bilhões, o que corresponde a 3,6 % do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2026. O cálculo parte em um PIB de R$ 12,7 trilhão em 2025, acrescido da projeção de crescimento de 1,4 % para 2026, segundo o Boletim Focus, resultando em um PIB de R$ 12,88 trilhão.
O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, apontou que o pacote inclui operações de crédito, subsídios e perdões de dívida, e que, embora não represente gasto direto no orçamento, tem motivação eleitoral e deve ser considerado na avaliação das contas públicas. Mendes ressaltou que a soma dos valores varia conforme o período analisado e a inclusão de diferentes fontes de financiamento; o Poder360 havia identificado R$ 248,7 bi, enquanto o Gastômetro do Estadão chegou a cerca de R$ 350 bi.
Segundo Mendes, muitas das linhas de crédito ainda não foram totalmente utilizadas e os empréstimos subsidiados podem ser contabilizados pelo valor integral disponibilizado ou apenas pela diferença de juros. Ele advertiu que a maioria dessas medidas tende a aumentar a dívida pública, pois são realizadas fora dos limites de despesa primária estabelecidos pelo arcabouço fiscal.
A IFI (Instituição Fiscal Independente), vinculada ao Senado, contestou a soma indiscriminada das medidas, argumentando que o impacto fiscal efetivo pode ser menor do que o indicado pelos números agregados. O debate sobre a real repercussão dessas iniciativas nas contas públicas deve se intensificar nos próximos meses, especialmente no contexto da campanha eleitoral que se aproxima.
