Julio Cezar Miranda Avelino, lobista de Daniel Vorcaro, utilizou direitos creditórios de uma ação judicial contra o Banco do Brasil para elevar o capital social da empresa Exclusivo Participações a R$ 770,3 milhões em 11 de junho de 2026, conforme registro da Junta Comercial de São Paulo. O documento indica que a operação transferiu as ações originais da Exclusivo Participações para a empresa Julio Cezar Miranda Assessoria, com sede em Anápolis (GO), e que Avelino passou a ser o único acionista e CEO da companhia.
A ação judicial que gerou os créditos foi ajuizada em julho de 2005 na Justiça de Mato Grosso do Sul (processo nº 0118548-98.2005.8.12.0001) pela Giordani Costa Hotéis e Turismo, e ainda não transitou em julgado. O uso desses direitos creditórios para aumento de capital é legal, embora a solidez do capital social deva ser avaliada pelos investidores.
A reportagem da revista Veja, citada na matéria, relata que representantes da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) negociaram com Vorcaro o recebimento de propinas em troca de acesso a fundos de pensão de empresas estatais. Vorcaro teria incluído essas informações em proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria‑Geral da República, a qual não foi aceita por falta de provas. O então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, negou envolvimento ou negociação de propinas com Vorcaro, classificando a reportagem como “farsa”.
A documentação da Junta Comercial, disponível em PDF, detalha ainda a transformação da Exclusivo Participações de sociedade limitada para sociedade anônima de capital fechado, a mudança de sede para a Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e a assinatura do advogado Henrique Pahim Escobar. O caso ainda está sob análise quanto à origem dos créditos e possíveis implicações legais.
