Letícia Gomes, farmacêutica de 28 anos e candidata à deputada estadual pelo MDB em Roraima, registrou o maior custo por voto das eleições de 2026, com R$ 8.750 por voto, segundo levantamento do Estadão. Ela gastou R$ 70 mil na campanha – valor declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – e recebeu apenas oito votos, mas ainda assim conquistou uma vaga de suplente na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE‑RR).

A maior parte dos recursos de Letícia foi destinada à militância e mobilização de rua, totalizando R$ 25,5 mil (36,43 % do gasto). Apesar disso, não há registro de eventos públicos como carreatas ou de panfletagem nas redes sociais. Em suas redes, a candidata atribuiu o desempenho à verba eleitoral insuficiente e à desigualdade de recursos entre candidatas e candidatos homens, além de mencionar suposta compra de votos por adversários.

A campanha recebeu R$ 80.357,13 dos diretórios nacional e estadual do MDB, além de uma doação de R$ 1.090 da ex‑prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, agora senadora. Letícia declarou ao TSE bens no total de R$ 211.252, incluindo um iPhone 16 Pro Max de R$ 6 mil. O levantamento do Estadão identificou ainda 13 outros candidatos que gastaram acima de R$ 3 mil por voto, metade deles em Roraima.

O custo por voto ainda pode variar até o fim do processo de prestação de contas, que tem prazo final de até 30 dias após o primeiro turno, conforme normas do TSE. O caso de Letícia Gomes evidencia a disparidade de recursos nas disputas eleitorais e levanta questões sobre a efetividade do financiamento de campanhas para candidatas de menor expressão.