No vídeo do 183º episódio do programa "Infra em 1 Minuto", exibido em 10 de outubro de 2026, o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), alerta que a aproximação do inverno no hemisfério norte está pressionando o mercado internacional de GNL. A crise de oferta, provocada pela guerra no Oriente Médio e pelas restrições no Estreito de Ormuz, reduziu em 536 cargas – cerca de 39 milhões de toneladas, quase 9% da oferta mundial – o volume de GNL exportado pelo Catar, um dos maiores exportadores globais.

A escassez afeta sobretudo a Ásia, que recebe mais de 80% das exportações catarianas, e eleva o preço spot do GNL para US$ 25 por milhão de BTU, um aumento de 140% em relação ao nível pré‑guerra. Na Europa, os estoques de gás natural estão em torno de 72% da capacidade, com a Alemanha em apenas 57%, intensificando a competição entre importadores.

Rodrigues destaca que a flexibilidade do GNL, que permite transporte por navios e comercialização em diferentes mercados, pode transformar o combustível em transmissor de crises. Um inverno mais rigoroso no hemisfério norte pode aumentar a demanda por gás de aquecimento, ampliando a competição e provocando aumentos globais de preços.

O Brasil, embora possua produção própria de gás natural, depende de importações de GNL para complementar o abastecimento, principalmente em períodos de baixa disponibilidade hídrica que exigem mais geração em usinas termelétricas. Nesse contexto, os custos do combustível ficam expostos às oscilações do mercado internacional.

Para mitigar os riscos, o especialista defende a ampliação da oferta doméstica de gás natural e o investimento em infraestrutura para transportar o combustível dos campos produtores até os centros consumidores, além de promover maior concorrência no mercado de GNL.