A pré‑via da inflação de serviços, que exclui itens mais voláteis como passagens aéreas, registrou alta de 5,5% nos últimos 12 meses, segundo avaliação de Claudia Moreno, economista do C6 Bank. O dado foi divulgado na sexta‑feira (23/10/2026), após a publicação do IPCA‑15, e indica que os preços permanecem pressionados apesar da desaceleração da atividade econômica.

Moreno destacou que o indicador avançou de 4,47% para 4,62% no acumulado de 12 meses, ultrapassando o teto de tolerância da meta de 4,5%. O índice subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,70% de setembro, mas ainda demonstra resistência dos preços, principalmente devido ao mercado de trabalho aquecido.

Entre os componentes, o grupo de despesas pessoais registrou alta de 0,55%, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,01%, impulsionada por fortes chuvas que afetaram a produção de alimentos. Por outro lado, as passagens aéreas recuaram 9,24%, contribuindo para conter uma alta maior do índice.

O C6 Bank manteve projeção de inflação de 5% para o fim de 2026 e de Selic em 13,75% ao ano até dezembro, sinalizando que o Comitê de Política Monetária precisará manter cautela. Economistas citados na matéria, como André Matos (MA7 Capital) e Alberto Friggi (Friggi & Secco), reforçaram que a redução da inflação só será sustentável com maior confiança na política fiscal.