O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses chegou a 4,58 % em setembro, superando o teto de 4,5 % estabelecido na meta de inflação contínua do Banco Central, informou o IBGE nesta sexta‑feira (9 de outubro de 2026). No mês, o índice subiu 0,82 %, revertendo a deflação de 0,32 % registrada em agosto.
A alta foi impulsionada principalmente pelos grupos de energia elétrica (7,98 % de variação, com impacto de 0,32 ponto percentual no IPCA), combustíveis (gasolina +1,21 %, diesel +1,69 %) e serviços, reduzindo o espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa Selic. Economistas citados apontam que, embora a valorização do real possa conter parte da pressão sobre produtos importados, ela não elimina os riscos associados ao petróleo e à demanda interna.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista‑chefe da MAG Investimentos, afirmou que a inflação continua disseminada entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, indicando perda de força no processo de desinflação no terceiro trimestre de 2026. Consultores da Wiser Asset e da Ouro Preto Investimentos reforçaram que a queda do dólar pode aliviar o custo de insumos importados, mas o preço elevado do petróleo mantém a pressão sobre combustíveis e transporte.
Analistas da Genial e da Ancord destacaram que a inflação de serviços e o aumento dos custos de transporte dificultam uma aceleração dos cortes da Selic, mantendo a projeção do Banco Central para o IPCA em 5,2 % em 2026.
