A dependência da indústria brasileira em relação aos bancos comerciais tradicionais para financiar operações de curto e médio prazo subiu para 65,3% em 2026, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta‑feira (16/10). O levantamento, parte da Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, entrevistou 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto e considerou as operações realizadas nos seis meses anteriores.

No período de fevereiro a julho, 65,3% das empresas que buscaram crédito apontaram os bancos tradicionais como principal fonte, frente a 61% no mesmo intervalo de 2025. Contudo, 24,7% das empresas que tentaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo não conseguiram obter recursos, e o índice de insucesso nas operações de longo prazo (vencimento superior a cinco anos) subiu para 37,2%.

A pesquisa destaca que as pequenas empresas enfrentam as maiores barreiras: 32% delas não obtiveram crédito de curto e médio prazo, e quase metade (48,2%) falhou em conseguir financiamento de longo prazo. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, atribui o cenário à dificuldade dessas empresas em apresentar garantias exigidas pelos bancos e ao menor poder de negociação para obter condições favoráveis.

Mesmo entre as empresas que conseguiram crédito, a oferta nem sempre foi suficiente. No segmento de curto e médio prazo, 62,1% receberam o valor solicitado, enquanto 24,9% obtiveram montante menor. No longo prazo, 61% tiveram o financiamento integral, mas 26,4% receberam quantias inferiores às necessidades, com maior incidência entre as pequenas empresas.

Colusso recomenda a diversificação das fontes de financiamento para que as indústrias encontrem recursos com prazos, custos e volumes adequados, reduzindo a dependência excessiva dos bancos tradicionais.