Marcos Coimbra, sociólogo e diretor do instituto Vox Populi, afirmou que a imprensa perdeu a credibilidade ao sustentar a ideia de que a eleição de 2026 seria uma "escolha difícil" depois do debate realizado pela TV Band na noite de 18 de outubro. O sociólogo destacou a participação de Flávio Bolsonaro (PL) no programa, que, segundo ele, pode ter revelado ao menos parte da imprensa os riscos de uma eventual vitória da extrema‑direita no segundo turno.
Coimbra criticou a postura de Flávio Bolsonaro, que interrompeu o presidente Lula (PT) durante o debate, e disse que a imagem do candidato agindo “pelas costas” evidencia sua postura agressiva. O comentarista acrescentou que, embora o debate não deva mudar significativamente o número de eleitores indecisos a uma semana da segunda rodada, ele pode ter despertado a atenção de formadores de opinião que ainda viam a disputa como equilibrada.
O sociólogo ainda relembrou um editorial do Estado de S. Paulo de 8 de outubro de 2018, que utilizou a expressão "escolha difícil" para a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, e concluiu que a situação atual não justifica mais tal narrativa. Em paralelo, uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada na mesma manhã de 19 de outubro mostrou empate técnico nas intenções de voto entre Lula (49,7 %) e Flávio Bolsonaro (50,3 %).
Coimbra concluiu que o debate pode ter ajudado a abrir os olhos de parte da imprensa e dos formadores de opinião para a ameaça que ele vê na candidatura de Flávio Bolsonaro, reforçando a necessidade de uma cobertura jornalística mais crítica e menos complacente.
