A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, decidiu não apoiar nenhum candidato no segundo turno da disputa presidencial de 2026. Em reunião realizada na noite de 14 de outubro, dirigentes regionais, pastores, obreiros e líderes de grupos da denominação foram instruídos a manter a neutralidade tanto em relação a Lula (PT) quanto a Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo um pastor da igreja em Santa Catarina, que preferiu não ser identificado, a orientação foi de que os fiéis devem ser “apascentados” independentemente de sua posição política, e que os pastores não devem fazer declarações partidárias nas redes sociais. A decisão foi confirmada por um relatório obtido pela CartaCapital.
Analistas do meio evangélico apontam que a postura neutra pode estar ligada ao futuro do banco Digimais, controlado por Macedo, que enfrenta risco de liquidação após investigação da Polícia Federal e exigência do Banco Central para aporte de R$ 2 bilhões até 15 de setembro. O presidente Lula afirmou ter sido procurado por representantes do banco para buscar solução, sugerindo que a neutralidade poderia ser estratégia para melhorar a relação com o governo.
Embora o partido Republicanos, ligado à Universal, tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, e o bispo Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, tenha anunciado apoio ao candidato, a liderança da igreja optou por não integrar a suposta “força‑tarefa” evangélica que pretende apoiar o filho de Jair Bolsonaro. O bispo Alessandro Paschoal, coordenador do grupo político Arimateia, reforçou que a bandeira da igreja não se alinha a nenhum espectro político terrestre, mas ao “celestial”.
Fonte: CartaCapital (https://www.cartacapital.com.br/politica/igreja-universal-evita-declarar-apoio-a-flavio-bolsonaro-e-se-diz-neutra-no-2o-turno/).
