A hidrocefalia de pressão normal (HPN), condição tratável que afeta a circulação do líquor no cérebro, tem sido equivocadamente associada a quadros de demência em pessoas acima de 60 anos. O caso do cantor Billy Joel, de 77 anos, que passou por cirurgia para tratar a HPN, ilustra como os sintomas – marcha robótica, incontinência urinária e raciocínio mais lento – podem ser interpretados como envelhecimento ou Alzheimer.

Segundo o neurologista Iron Dangoni Filho, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, a natureza inespecífica dos sinais da HPN dificulta o diagnóstico precoce, levando familiares a buscar especialistas como ortopedistas ou urologistas antes de consultar um neurologista. A falta de conscientização retarda o tratamento, reduzindo as chances de reversão completa dos sintomas.

O diagnóstico da HPN baseia‑se na avaliação clínica e em exames de imagem, como a ressonância magnética, que identifica a dilatação dos ventrículos cerebrais. Quando detectada a tempo, a cirurgia de implantação de válvula pode desviar o excesso de líquor para a cavidade abdominal, possibilitando a cura. Diretrizes internacionais apontam que entre 60 % e 80 % dos pacientes submetidos à cirurgia apresentam melhora significativa dos sintomas.

Para avaliar a elegibilidade ao procedimento cirúrgico, os médicos utilizam o Tap test, que consiste na retirada temporária de líquor por punção lombar. A resposta ao teste indica se a cirurgia trará benefícios ao paciente, embora nem todos os idosos sejam candidatos adequados devido à complexidade do procedimento.