Durante a sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a situação da Nicarágua, o representante permanente do Brasil, Ricardo Belli, reiterou a posição do governo federal de que as eleições brasileiras devem transcorrer sem interferência externa. Em pronunciamento realizado na sexta‑feira, 2 de outubro de 2026, Belli citou a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” – e alertou contra a lógica que ele definiu como “ultrapassada da Guerra Fria”.

O diplomata não nomeou explicitamente os Estados Unidos, mas vinculou a crítica ao discurso do ex‑presidente Donald Trump, que costuma defender a chamada “paz pela força”. Belli ressaltou que definir quais atividades de países fora da região seriam “malignas” pode gerar critérios subjetivos e abrir margem para interpretações políticas. A fala ocorreu um dia depois de Trump afirmar que acompanha “bem de perto” as eleições brasileiras, classificando o pleito como “muito importante”.

Segundo o Poder360, Lula já havia manifestado, em 25 de setembro, que Trump “está fazendo a aposta de que ele vai ser dono da América Latina” e advertiu que o presidente norte‑americano perderia se “metesse a mão” no processo eleitoral. A preocupação do governo se intensifica após episódios recentes de intervenção dos EUA na região, como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e declarações do ministro das Relações Exteriores sobre a possibilidade de intervenção militar no Brasil.

A posição oficial do Brasil, reforçada na OEA, é de defesa da soberania nacional e da realização de eleições livres de pressões externas. Não há registro de resposta oficial dos Estados Unidos às declarações de Belli ou de Lula até o momento.