Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, terminou o primeiro turno com 45,16 % dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03 %. Nas seis capitais onde o presidente concentrou quase metade das agendas de rua – Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Maceió – o déficit em relação a Flávio aumentou em cerca de meio milhão de votos (457.542). Em 21 cidades visitadas, incluindo 14 capitais, Lula alcançou 50,8 % dos votos, mas ficou 356 mil votos atrás do adversário; no restante do país, o déficit foi de 2,58 milhões de votos, totalizando um déficit nacional de 2,23 milhões construído fora das áreas de campanha de rua.

A estratégia de “foco no digital” incluiu a convocação de jovens influenciadores nas redes sociais, como a deputada Ana Elisa (PT‑MG), eleita com 524.219 votos e considerada a mulher mais votada da história de Minas para a Câmara. Ela defende que a linguagem das plataformas digitais será decisiva para virar o jogo no segundo turno, propondo mais vídeos curtos e menos textos extensos. A campanha também contou com a participação do vice‑governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), que sugeriu ampliar o diálogo com torcidas de futebol, e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), responsável pela comunicação ao lado do ministro Sidônio Palmeira.

Na sexta‑feira, 9 de outubro, Lula retomou a presença nas ruas com uma carreata em Ceilândia (DF), ao lado do candidato ao governo Leandro Grass (PT) e da primeira‑dama Janja, prometendo “virar o rei da selfie” e reforçar a presença online. O presidente não contará com palanques fortes nas seis capitais onde perdeu votos, e a oposição já venceu o primeiro turno em estados como Paraná, Alagoas, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Distrito Federal, Grass disputa o segundo turno.

A matéria destaca ainda que, apesar de 32 % das agendas de campanha terem sido concentradas nas três maiores colégios eleitorais (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), elas renderam apenas 55 mil votos de vantagem sobre Flávio. Em Belo Horizonte e no Rio, o petista perdeu para Flávio Bolsonaro, filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro.