Flávio Nantes Bolsonaro (PL) anunciou, em campanha para as eleições de 2026, a construção de um “Trem do Nordeste” com 1.400 quilômetros de extensão, ligando as capitais de Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. A proposta, divulgada em entrevista e em eventos de campanha, afirma que a obra seria financiada exclusivamente pela iniciativa privada, sem recursos da União.
Até o momento, a campanha não disponibilizou estudo de viabilidade, traçado preliminar, orçamento detalhado ou fonte de recursos para a ferrovia. A Folha enviou questionamentos à equipe de Bolsonaro em 19 de outubro, sem obter resposta. Analistas apontam que o custo médio de construção de ferrovias no país varia entre R$ 20 mi e R$ 30 mi por quilômetro, o que colocaria o investimento mínimo em torno de R$ 28 bi, podendo chegar a mais de R$ 42 bi, valores que ainda não foram apresentados.
A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, defendeu que o projeto poderia ser viabilizado por capital privado, concessões e parcerias público‑privadas, mas não detalhou a origem dos recursos nem os mecanismos de desapropriação necessários. O histórico de abandono de ferrovias no Brasil, citado por especialistas, reforça a necessidade de estudos aprofundados antes de avançar com a proposta.
A falta de informações técnicas e financeiras deixa a promessa sem respaldo de viabilidade, sendo tratada como uma alegação de campanha ainda não comprovada.
