No segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alteraram discursos sobre temas centrais da campanha. O senador passou de crítico ao Bolsa Família – onde, entre 2011 e 2014, chamava o programa de "bolsa‑farelo" e o acusava de perpetuar a pobreza – a defensor, classificando-o como "direito adquirido" e prometendo mantê‑lo caso seja eleito. Lula, que historicamente se opunha à redução da maioridade penal, passou a apoiar a medida para adolescentes a partir dos 16 anos em casos de crimes hediondos, posição anunciada durante a campanha de 2026.
Além dessas mudanças, Flávio também modificou sua postura sobre a jornada de trabalho, passando a apoiar o fim da escala 6×1, enquanto o governo Lula recuou na cobrança da "taxa das blusinhas", suspendendo o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, imposto que havia sido defendido para proteger a indústria nacional. As alterações foram identificadas em entrevistas, debates, publicações nas redes sociais e declarações reconhecidas pelos próprios candidatos.
O levantamento, elaborado pelo G1, reúne declarações antigas e recentes, destacando que, em alguns casos, os presidenciáveis reconheceram publicamente a mudança de opinião, enquanto em outros a diferença aparece apenas na comparação entre registros de diferentes períodos. Essas reviravoltas de discurso podem influenciar a percepção dos eleitores nas etapas finais da disputa presidencial.
