A aprovação da PEC que põe fim à escala de trabalho 6×1, na quarta‑feira (14/10), trouxe um alívio para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, segundo o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, dificilmente será suficiente para conquistar eleitores indecisos. Em entrevista ao WW, Aragão destacou que as manifestações de apoio ao presidente foram expressivas, mas foram acompanhadas por episódios como queima de bandeiras, exibição da bandeira da Palestina e depredação de estações de metrô, o que pode gerar preocupação entre o eleitorado que ainda não se definiu.

Aragão também apontou que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) perdeu ritmo após o bom desempenho no primeiro turno, embora os últimos trackings mostrem ainda uma leve vantagem para o candidato. O analista ressaltou que, apesar do “respiro” nas redes sociais de Lula, a corrida eleitoral continua apertada e que a próxima PEC da Segurança Pública, que inclui a discussão sobre a redução da maioridade penal, pode representar uma armadilha para os governistas.

A avaliação de Aragão indica que, embora a mobilização nas ruas fortaleça a base lulista, as controvérsias surgidas nos protestos podem afastar eleitores que ainda não se identificam com nenhum dos candidatos. O analista concluiu que a disputa permanece incerta e que novos temas, como a PEC da Segurança Pública, podem influenciar o comportamento do eleitor indeciso nas próximas semanas.