Um relatório da área Macroeconomic Research do BTG Pactual, divulgado na terça‑feira (20/10/2026), conclui que as mudanças de endereços de 1.792 urnas, que afetam 528 mil eleitores aptos, devem influenciar pouco o resultado do segundo turno das eleições gerais. O estudo aponta que a maioria das alterações – 67 % das urnas – ocorreu a menos de 600 m do local original, e que a distribuição geográfica dos eleitores afetados (47 % no Nordeste e 17 % no Norte) não favorece nem prejudica de forma significativa nenhum dos candidatos. Mesmo simulando aumentos de até 20 pontos percentuais na taxa de abstenção nas seções modificadas, a diferença entre os candidatos permaneceria em torno de 7 mil votos, muito inferior à margem de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno.
A pesquisa também destaca que, apesar da alta de abstenção (20,4 % nas seções analisadas), o efeito total sobre o resultado seria pequeno devido ao peso reduzido do grupo de eleitores afetados no eleitorado nacional. Em um cenário mais conservador, um aumento de 5 pontos percentuais na abstenção reduziria a votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerca de 12,7 mil votos e a de Flávio Bolsonaro (PL) em 10,9 mil, gerando uma diferença de apenas 1,8 mil votos a menos para o petista.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que 453 locais de votação terão alterações entre os turnos, motivadas por reformas de última hora, melhorias de acessibilidade e chuvas intensas. O relatório do BTG Pactual sugere que, embora as mudanças possam gerar alguma abstinência adicional, elas não são decisivas para o desfecho da disputa presidencial, que permanece apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
