Em outubro de 1908, a revista científica The Lancet publicou um artigo baseado na investigação do médico alemão Hugo Feilchenfeld, que alertava para os supostos riscos de ler na cama antes de dormir. O estudo apontava que a baixa iluminação dos quartos e a postura deitado dificultariam o foco adequado dos olhos, podendo induzir miopia, sobretudo em jovens cujos olhos ainda estavam em desenvolvimento, e recomendava a proibição do hábito para menores de 18 anos.
A reportagem do Poder360 traz a íntegra do artigo original (PDF) e destaca que, quase um século depois, a conclusão de Feilchenfeld foi reavaliada. Uma revisão de 2021, realizada por pesquisadores de diversos países, classificou a postura de leitura e a iluminação fraca como fatores de “baixo risco” para o desenvolvimento da miopia, sem evidência robusta de causalidade. No mesmo ano, um ensaio randomizado irlandês mostrou que ler antes de dormir pode melhorar a qualidade do sono, com 42 % dos participantes relatando melhora versus 28 % do grupo controle.
O texto usa o caso histórico para ilustrar como o método científico evolui, ressaltando que, assim como no início do século XX havia preocupação com a leitura noturna, hoje há debates sobre o uso de celulares e telas por crianças e adolescentes. Diversos países já adotaram legislações que restringem o tempo de uso de dispositivos digitais por menores, refletindo novos focos de investigação e regulação.
Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-cultura/artigo-de-1908-sobre-leitura-na-cama-mostra-como-ciencia-evolui/).
