Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo revelou que a exposição à fumaça de cigarro nos primeiros dias de vida pode provocar alterações químicas na mineralização do esmalte dentário, ainda que não haja mudanças visíveis nos dentes. A pesquisa, realizada com apoio da Fapesp na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, foi publicada em maio de 2026 na revista *Calcified Tissue International*.
O trabalho faz parte de uma linha de investigação coordenada pelo professor Francisco Wanderley Garcia de Paula‑Silva, que estuda como adversidades precoces – como álcool, tabaco e estresse – influenciam o desenvolvimento humano. A primeira autora, Juliana de Lima Gonçalves, realizou o experimento durante seu doutorado, utilizando filhotes de ratos divididos em dois grupos: um exposto à fumaça de cigarro duas vezes ao dia, por cinco minutos, entre o segundo e o 28º dia de vida, e outro mantido sem exposição.
Os resultados mostraram modificações químicas nos dentes dos animais expostos, sugerindo que o esmalte dentário pode funcionar como um biomarcador de exposições ambientais precoces. Segundo o professor Paula‑Silva, o esmalte se forma em períodos críticos da infância e, ao contrário do osso, não sofre remodelação ao longo da vida, o que o torna um registro biológico valioso.
Os autores destacam que, embora o estudo tenha sido realizado em modelo animal, os achados apontam para a necessidade de políticas de saúde pública que reduzam a exposição ao fumo passivo em gestantes e crianças pequenas, visando prevenir possíveis impactos na saúde bucal a longo prazo.
