Um estudo preliminar conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstrou que a inalação controlada de ar rarefeito – semelhante ao encontrado em altitudes elevadas – é segura, não interfere no sono e pode modular hormônios e marcadores inflamatórios em pacientes com doença de Parkinson. O experimento, publicado em agosto na revista *Parkinsonism & Related Disorders* e financiado pela Fapesp, contou com 30 voluntários, metade deles portadores da doença e a outra metade saudável. Cada sessão de 39 minutos alternou quatro ciclos de seis minutos respirando ar com 10 % de oxigênio (equivalente a 5.800 m de altitude) e três intervalos de cinco minutos com ar normal, sendo comparada a uma sessão‑controle de ar normal.

Os resultados indicaram ativação de mecanismos de proteção sem efeitos adversos, sugerindo que a técnica – conhecida como hipóxia intermitente – pode servir como terapia complementar ao exercício físico, atualmente a única estratégia que melhora manifestações clínicas de Parkinson. Fabio Barbieri, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Movimento Humano e do projeto de extensão Ativa Parkinson na Unesp de Bauru, ressaltou que a abordagem não pretende curar a doença nem substituir tratamentos existentes, mas pode contribuir para o alívio de sintomas motores e não motores.

O estudo abre caminho para investigações com maior número de participantes e protocolos de longo prazo, visando avaliar os efeitos de sessões repetidas da técnica. Até o momento, não há relatos de efeitos colaterais graves, o que reforça a viabilidade de aprofundar a pesquisa em ambientes clínicos.