Milhares de estudantes de todo o país voltaram às ruas nos últimos dias para defender a democracia e a educação pública, em um momento que a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, descreve como decisivo para o futuro do Brasil. Em entrevista concedida à Agência Brasil nesta domingo (18/10), a dirigente destacou a histórica participação estudantil em lutas como a resistência à ditadura militar, as mobilizações por eleições diretas, o impeachment de Fernando Collor e a oposição ao governo de Jair Bolsonaro, e afirmou que “não só uma eleição está em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país está em risco”.
Borges apontou a possibilidade de um governo autoritário, caso vença o candidato Flávio Bolsonaro (PL), como ameaça à educação e aos direitos sociais, e vinculou a defesa da democracia à ampliação da assistência estudantil, ao combate ao subfinanciamento das universidades públicas e à garantia de condições para que estudantes de baixa renda concluam seus cursos. A presidente da UNE, que assumiu a chefia da entidade em 2025, também ressaltou a necessidade de manter a organização estudantil ativa além do período eleitoral, transformando reivindicações em direitos concretos.
A mobilização ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro de 2026, quando o país decidirá entre os candidatos à presidência. Na mesma semana, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para impedir publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo a UNE. O gesto do TSE reforça o ambiente de tensão política que tem alimentado a ação dos estudantes.
Bianca Borges, nascida em Itapevi (SP) e formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), tem uma trajetória de militância que inclui a coordenação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP, a presidência da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE‑SP) e a participação na Organização Latino‑Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE). Ela concluiu que a participação coletiva dos estudantes é essencial para garantir a soberania, a democracia e a qualidade da educação no país.
