Especialistas apontam que os algoritmos das principais plataformas digitais – como Facebook, Instagram, WhatsApp, TikTok, Google/YouTube e X – tendem a reforçar conteúdos alinhados às preferências dos usuários, gerando bolhas informacionais que distorcem a percepção da realidade política. O pesquisador Emilio Alves (Doutorando na Escola de Comunicações e Artes da USP) descreve o algoritmo como uma "fórmula que customiza o que o usuário vê" para maximizar o tempo de permanência e o consumo de conteúdo. Segundo a cientista política Luciana Fernandes Veiga (Unirio/FGV), essas bolhas criam "realidades paralelas" que podem levar eleitores a acreditar que seu candidato está ganhando, mesmo quando pesquisas mostram o contrário. Luiz Alberto de Farias, professor de opinião pública na USP, afirma que os algoritmos buscam manter o usuário em um estado de conforto opinativo, entregando "verdades convenientes" que podem gerar uma espécie de "psicose" ao impedir a visão de perspectivas divergentes. As plataformas não divulgaram detalhes sobre o funcionamento interno de seus algoritmos, e, quando contatadas, recusaram comentar ou não responderam aos questionamentos da reportagem.