Especialistas independentes das Nações Unidas solicitaram, nesta quarta‑feira (21/10), que a Meta examine se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial teriam limitado de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral no Brasil. Os profissionais apontam relatos de usuários que teriam enfrentado barreiras ao divulgar mensagens políticas nas plataformas da empresa, o que poderia afetar a liberdade de expressão, a participação política e a igualdade de tratamento entre diferentes posições.
Em entrevista coletiva, os especialistas afirmaram que “plataformas online são atores fundamentais no debate democrático. Impedir que as pessoas se expressem ou alcancem audiências sem explicação afeta quem é ouvido”. Eles pediram que a Meta conduza uma auditoria interna e publique os resultados, a fim de garantir transparência e evitar possíveis vieses que possam influenciar o processo eleitoral.
A Meta ainda não se pronunciou oficialmente sobre as demandas apresentadas pelos especialistas da ONU. Até o momento, não há declaração pública da empresa nem documentos que comprovem a existência de restrições sistemáticas. O pedido dos especialistas representa, portanto, um chamado à empresa para que esclareça seu papel nas próximas fases da campanha, que se intensificarão com o segundo turno das eleições, previsto para 25 de outubro.
O caso será acompanhado por observadores internacionais e pela comunidade de direitos digitais, que tem monitorado o uso de algoritmos de recomendação em contextos eleitorais ao redor do mundo. Caso a Meta confirme a existência de vieses ou falhas em seus sistemas, poderá ser pressionada a adotar medidas corretivas antes da conclusão do pleito nacional.
