Especialistas independentes do Conselho de Direitos Humanos da ONU emitiram alerta nesta quarta‑feira (21/10) sobre o risco de a Meta comprometer o segundo turno da eleição presidencial brasileira caso mantenha restrições desiguais à circulação de conteúdos políticos nas suas plataformas. O comunicado, elaborado por relatores como Leopoldo Maldonado Gutiérrez, Margaret Satterthwaite e Gina Romero, reúne relatos de bloqueios de contas, redução de alcance de publicações no Instagram e diferenças nas buscas do WhatsApp, além de limitações ao uso de ferramentas de inteligência artificial.

Os observadores apontaram que milhares de contas e publicações – incluindo jornalistas, defensores de direitos humanos e criadores de conteúdo – foram suspensas ou tiveram sua visibilidade diminuída, o que poderia gerar prejuízos irreversíveis à participação política e à igualdade de condições entre os candidatos. O grupo enfatizou que algoritmos e decisões de moderação não devem atuar como árbitros invisíveis da discussão política e cobrou que a Meta estabeleça procedimentos de revisão, correção de distorções e recursos efetivos para os usuários durante o período eleitoral.

Além de solicitar transparência da empresa, os relatores recomendaram cautela à Justiça Eleitoral ao impor restrições à manifestação política, alertando que a percepção de tratamento desigual pode corroer a confiança pública na legitimidade da Corte. O alerta ocorre quatro dias antes da votação do segundo turno, prevista para 25 de outubro.