A deputada federal Erika Hilton (PSOL‑SP) revelou que pode deixar o PSOL e se filiar ao PT em 2027, após divergências sobre a estratégia eleitoral do partido. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta terça‑feira (13/10/2026), a parlamentar criticou a distribuição de recursos de campanha, a falta de apoio a candidaturas competitivas e a decisão de não formar uma federação com o PT.
Reeleita com cerca de 1,5 milhão de votos, Hilton foi a mulher mais votada para a Câmara e ocupou o terceiro lugar na classificação geral. O desempenho contrastou com a federação PSOL‑Rede, que não superou a cláusula de barreira e perderá acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita a partir de 2027.
Segundo Hilton, o PSOL teria comprometido suas chances de atingir a cláusula ao financiar candidaturas de baixo potencial eleitoral, deixando outras com potencial competitivo sem recursos suficientes. Ela citou a campanha de Sofia Favero, candidata a deputada estadual em São Paulo, como exemplo.
Quanto à filiação ao PT, a deputada afirmou que já conversou com representantes do partido, mas ainda não discutiu formalmente seu futuro com a direção do PSOL. A transferência, segundo ela, pode ocorrer em 2027, dependendo do resultado dessas conversas. De acordo com as regras eleitorais, deputados eleitos por partidos ou federações que não atingiram a cláusula de barreira podem mudar de legenda sem perder o mandato.
Além das críticas ao PSOL, Hilton também apontou falhas na comunicação da campanha de Lula no primeiro turno e elogiou a iniciativa de gravar vídeos no formato selfie, mas defendeu uma presença digital mais intensa no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
A parlamentar ainda relatou que continua recebendo ameaças de morte, inclusive no dia do primeiro turno, e que vive sob escolta permanente, utiliza carro blindado e já precisou mudar de endereço por questões de segurança.
