A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) divulgou, na sexta‑feira (2), comunicado em que expressa "profunda preocupação" com decisões judiciais tomadas poucas horas antes do debate presidencial da TV Globo, previsto para a quinta‑feira (1). Segundo a AIR, as alterações de última hora nas regras do encontro geram insegurança jurídica e podem comprometer a autonomia editorial dos veículos de comunicação.
O cancelamento do debate ocorreu após duas intimações judiciais: uma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impediu a exibição do púlpito destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia decidido não participar; e outra do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Gilmar Mendes, que determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) a pedido do partido Solidariedade. Além disso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou o entendimento sobre a contagem de parlamentares, garantindo a presença de Romeu Zema (Novo) no debate.
A AIR ressaltou que debates eleitorais são atividade jornalística de interesse público e que a liberdade de imprensa deve ser preservada, pedindo que autoridades eleitorais e judiciais exerçam suas competências respeitando a independência editorial. A manifestação da AIR se soma às críticas de associações brasileiras da imprensa – Abert, Aner e ANJ – que também denunciaram a intervenção judicial nas regras previamente acordadas para o debate.
Até o momento, não há indicação de que as decisões judiciais tenham sido revertidas ou que haja novo calendário para o debate. A AIR concluiu o comunicado solicitando que as autoridades brasileiras garantam a liberdade de expressão e a independência dos meios de comunicação ao exercerem suas atribuições.
