Antônio Carlos Freixo Junior, empresário mineiro responsável pelos repasses de US$ 12,3 milhões (equivalentes a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro 2025) ao fundo Havengate, que financiou o filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro, declarou em delação premiada que tentou, sem sucesso, recuperar os valores ao suspeitar de irregularidades. Freixo, que atuava como cotista da Entre Investimentos, contou que só tomou conhecimento da real destinação dos recursos para a produção cinematográfica após a divulgação de matérias na imprensa, e que enviou e‑mails solicitando o resgate integral e o balancete do fundo, mas não obteve resposta.

A Polícia Federal, entretanto, contestou a versão do empresário, apontando que documentos apreendidos – entre eles uma carta‑acordo da empresa de Paulo Calixto, gestor do fundo – já mencionavam a necessidade de tempo para a produção do filme, o que contraria a alegação de desconhecimento de Freixo. A PF pediu ao ministro do STF André Mendonça a prorrogação de 90 dias da investigação sobre o financiamento do longa, que também envolve Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, e os senadores Flávio e Eduardo Bolsonaro, que negam irregularidades.

Freixo firmou acordo de delação premiada homologado em setembro pelo ministro André Mendonça e está colaborando com as investigações, podendo obter benefícios caso seja condenado. A delação foi apresentada à PF no dia 1º de outubro de 2026, e a solicitação de prorrogação da investigação foi feita nesta sexta‑feira (16/10/2026).