No primeiro turno da eleição presidencial, realizado em 4 de outubro de 2026, a participação dos eleitores foi marcada por um clima de desinteresse, conforme apontavam especialistas antes da votação. Douglas Tajiri, especialista tributário de 30 anos, admitiu que não se mobilizou nem compartilhou conteúdo sobre a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) naquele período. O resultado inesperado – com Flávio Bolsonaro (PL) à frente nas urnas – fez Tajiri rever sua postura e, a partir de então, passou a participar ativamente de grupos de apoio ao presidente, como o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede‑MG).

Segundo Cila Schulman, CEO da Ideia, a mudança de cenário entre os turnos foi expressiva: a mobilização nas ruas e nas redes sociais passou a ser liderada por estudantes, jovens e fandoms, que se organizaram de forma orgânica. No segundo turno, manifestações reuniram multidões e a disputa digital entre apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro se intensificou, com destaque para ações coordenadas no canal de Janones, que conta com quase 10 milhões de seguidores.

Os dados da consultoria BITES, citados pelo Estadão, mostram que, entre 16 de agosto e 4 de outubro, Flávio Bolsonaro ganhou 2,4 milhões de seguidores nas redes, enquanto Lula acumulou 1,4 milhão. Contudo, no segundo turno, a campanha de Lula registrou maior número de interações, impulsionada pela participação de lideranças locais – como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – e por eventos presenciais. O caso de Douglas Tajiri ilustra como a combinação de mobilização de rua e articulação digital transformou o panorama eleitoral entre os dois turnos.