Segundo a Agência Brasil, as eleições de 2026 registraram quase 2 milhões de eleitores que declararam alguma deficiência, o maior número já contabilizado pela Justiça Eleitoral. O aumento de 1,3 milhão em 2022 para 1,9 milhão em 2026 levou a ampliação de colégios eleitorais adaptados, que passaram de 156,2 mil para 220,5 mil seções acessíveis. Apesar da expansão, relatos de eleitores apontam que ainda há barreiras significativas nas unidades de votação.

É um fato confirmado que Alexandre Prudente, cadeirante, enfrentou dificuldades ao tentar votar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Depois de subir rampas e usar elevador até o oitavo andar, descobriu que sua seção havia sido transferida novamente para a Igreja Metodista, exigindo que ele percorresse 1,5 km de carro e esperasse cerca de uma hora na fila, mesmo com prioridade. O caso ilustra a falta de comunicação e sinalização das mudanças de seção.

Outros relatos corroboram o cenário de obstáculos: Isaura dos Santos, de 77 anos, precisou subir escadas em um colégio da zona sul sem elevador; e Maria Lídia Gomes de Matos, 85 anos, com limitações de fala e mobilidade, contou que a mesária foi prestativa, mas destacou a ausência de estrutura adequada no local. Essas declarações são alegações de eleitores sobre a insuficiência de acessibilidade, ainda não objeto de investigação formal.

A Justiça Eleitoral reconheceu o problema e informou que realiza vistorias periódicas nos imóveis usados como locais de votação, pois muitos são escolas públicas ou instituições parceiras cujas condições podem mudar. O órgão também destaca que eleitores com deficiência têm prioridade, podem ser acompanhados por um adulto e dispõem de urnas com teclado em braile e instruções de áudio, embora o uso desses recursos dependa de fones de ouvido fornecidos pela própria Justiça.

O próximo passo apontado pela própria Justiça Eleitoral é continuar o monitoramento das condições de acessibilidade nas seções e aprimorar a comunicação das mudanças de local, a fim de reduzir os transtornos relatados pelos eleitores com deficiência.