O próximo presidente herdará uma série de gargalos no agronegócio que demandam soluções de médio e longo prazo, segundo especialistas e a proposta da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Entre os principais desafios apontados estão o alto custo e o endividamento dos produtores, que encarecem o crédito rural, e a baixa cobertura de seguro – apenas 3 % da produção agropecuária conta com esse mecanismo de proteção.
A dependência de insumos importados também pesa: o Brasil importa cerca de 80 % dos adubos químicos consumidos, o que gera vulnerabilidade de preços e suprimentos. Na infraestrutura, gargalos de armazenamento, estradas precárias e falta de conectividade afetam a logística; em 2024, mais de 1,3 milhão de domicílios rurais ainda não tinham acesso à internet.
A Abag apresenta cinco frentes de políticas públicas para enfrentar esses problemas: (1) criação de um marco plurianual de financiamento, seguro rural e resiliência climática, incluindo um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas; (2) estímulo à produção nacional de insumos para reduzir a dependência externa; (3) modernização dos processos de licenciamento e autorização de empreendimentos de infraestrutura agroindustrial; (4) ações permanentes de comunicação, educação e valorização da agroindústria; e (5) estratégias de inserção internacional e defesa da competitividade, com foco em barreiras tarifárias e não tarifárias.
Especialistas como Felippe Serigati, da Fundação Getulio Vargas (FGV), e Leandro Gilio, do Insper Agro Global, ressaltam que as soluções exigem coordenação entre governo, iniciativa privada e instituições financeiras, além de políticas de longo prazo que ultrapassem um único mandato presidencial.
