Em análise publicada no Estadão Política em 21 de outubro de 2026, o colunista Carlos Pereira argumenta que o argumento de que a vitória de Flávio Bolsonaro representaria uma ameaça à democracia já não tem o peso decisivo na disputa eleitoral. O autor aponta que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro têm moderado suas posições para atrair o eleitor mediano, focando em temas cotidianos como segurança pública e redução da maioridade penal, em vez de enfatizar riscos institucionais.

Pereira destaca que, em um cenário de polarização, os candidatos buscam ampliar seu apelo ao se aproximar de pautas tradicionalmente associadas ao campo oposto, como a proposta de fim da jornada de trabalho 6×1 por Flávio Bolsonaro. Essa convergência estratégica indica que a competição está se deslocando de uma escolha entre democracia e autoritarismo para uma disputa baseada em políticas públicas e desempenho de governo.

O texto também ressalta que, apesar das ameaças institucionais ainda existirem, a percepção de resiliência democrática – reforçada por sucessivas crises durante o governo Jair Bolsonaro – pode ter reduzido a eficácia do discurso de risco democrático como ferramenta de mobilização eleitoral. Assim, o eleitor mediano parece menos preocupado com a sobrevivência da democracia e mais interessado em quem oferecerá melhores condições de governar o país.

Pereira conclui que, se sua interpretação estiver correta, a mensagem central da eleição será que o discurso de ameaça democrática já não basta para vencer, e que até mesmo Lula reconheceu essa mudança ao focar em questões mais próximas das preocupações cotidianas dos eleitores.