A direita foi o campo que mais elegeu mulheres ao Senado nas eleições de 2026, conquistando cinco vagas, enquanto a esquerda ficou com quatro e os partidos de centro, com três. O resultado reflete a estratégia articulada em torno de Michelle Bolsonaro (PL), ex‑primeira‑dama e senadora eleita pelo Distrito Federal, que tem promovido a presença feminina nas candidaturas do partido e de legendas aliadas. Segundo a cientista política Malu Gatto, doutora pela Universidade de Oxford, a ênfase nas candidaturas femininas responde a um esforço de atrair eleitorado feminino, que historicamente mostrou resistência ao voto em Jair Bolsonaro.

No Senado, além de Michelle Bolsonaro, foram eleitas Bia Kicis (PL‑DF), Caroline De Toni (PL‑SC), Gracinha Caiado (União‑GO) e Mara Rocha (Republicanos‑AC). Esse conjunto representa o maior número de senadoras de direita desde 2014 e marca a terceira eleição consecutiva em que a direita supera a esquerda nesse segmento. Nos estados, quatro mulheres de direita disputam o segundo turno em 25 de outubro: Celina Leão (PP‑DF), Mailza Assis (PP‑AC), Maria do Carmo (PL‑AM) e Dorinha (União‑TO). A única governadora eleita no primeiro turno foi Raquel Lyra (PSD‑PE), de um partido de centro.

Na Câmara dos Deputados, a bancada da direita cresceu de 11 deputadas em 2014 para 44 em 2026, aproximando‑se do PT, que ainda lidera em número absoluto de mulheres eleitas. Embora proporcionalmente o PT tenha eleito 36 % de suas candidatas mulheres contra 18 % do PL, em números absolutos as diferenças são pequenas (22 deputadas do PL versus 25 do PT). O levantamento da Gazeta do Povo, baseado em dados do TSE de 2014 a 2026, evidencia que, apesar do avanço numérico da direita, a esquerda ainda mantém a maioria das cadeiras ocupadas por mulheres nos partidos de menor expressão, como PCdoB e PSOL.

Gatto atribui parte desse sucesso ao escândalo do Banco Master, que trouxe a corrupção ao centro do debate e favoreceu a imagem das mulheres como “antídoto” à corrupção, criando uma janela de oportunidade para candidatas femininas. O fenômeno segue tendência observada em partidos de direita na Europa, onde a inclusão de mulheres nas listas busca atrair eleitoras menos propensas a apoiar figuras masculinas do espectro conservador.