Segundo o Congresso em Foco, o ministro do STF Flávio Dino utilizou o Instagram para afirmar que as decisões judiciais que alteraram as regras do debate presidencial da Globo são legítimas e que discordar de seu conteúdo também é legítimo. Dino citou os ministros Nunes Marques, Gilmar Mendes e a ministra do TSE Estela Aranha, destacando que três decisões foram tomadas: Nunes Marques determinou a participação do governador Romeu Zema (Novo), Gilmar Mendes garantiu a presença do candidato Renan Santos (Missão) e Estela Aranha proibiu a exibição do púlpito vazio de Lula e a formulação de perguntas ao candidato ausente.
A manifestação de Dino ocorreu após o cancelamento do debate, anunciado pela Globo depois de receber as ordens judiciais que modificaram as regras e da desistência de Flávio Bolsonaro (PL‑RJ). O presidente Lula (PT) já havia comunicado que não participaria, optando por conceder entrevista ao Flow Podcast.
Em sua publicação, Dino argumentou que a atuação judicial na solução de controvérsias eleitorais está em conformidade com o princípio da separação dos Poderes, citando como precedentes a intervenção da Suprema Corte dos EUA nas eleições de 2000 e a decisão judicial que impediu a candidatura de Silvio Santos nas eleições brasileiras de 1989. O ministro alertou contra retrocessos ao período anterior à criação da Justiça Eleitoral, em 1930.
Ao encerrar, Dino questionou a diferença de tratamento recebida por Estela Aranha, a única mulher entre os magistrados citados, apontando que sua decisão tem sido mais criticada que as dos ministros homens. Ele concluiu que vale refletir sobre a igualdade de críticas e o respeito às decisões judiciais.
