Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria solicitado, em janeiro, enquanto cumpria prisão domiciliar em São Paulo, que seu contato no ramo da comunicação, Thiago Miranda, contratasse o especialista em segurança cibernética Thiago Santos para invadir o iCloud e apagar dados de seu celular apreendido pela Polícia Federal. A intenção, segundo as informações publicadas pela revista Piauí e confirmadas por duas fontes independentes citadas pelo Estadão, era impedir que o órgão investigativo acessasse informações contidas no dispositivo.

Segundo o relato, Santos conseguiu acessar a conta iCloud, mas a ação foi interrompida por policiais que identificaram a invasão. Thiago Santos nega qualquer irregularidade, afirmando que sua única manifestação foi ao PF durante depoimento em julho, e que não participou de obstrução de investigação. Nem a defesa de Vorcaro nem a de Miranda se manifestaram até o momento.

A investigação da PF indica que Vorcaro também teria ordenado a exclusão de dados da conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, operador financeiro responsável por pagamentos a autoridades. Relatórios apontam que a tentativa de apagar os dados não teve sucesso, já que a força‑tarefa da Operação Compliance Zero mantinha o aparelho sob análise há dois meses.

Vorcaro está sob investigação por suspeita de fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção, tendo sido preso duas vezes, em novembro de 2025 e março de 2026, e permanece detido na Penitenciária Papudinha, em Brasília.