Novos indicadores divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no final de setembro apontam que apenas 44,3 % dos docentes dos últimos anos do ensino fundamental no Brasil estão satisfeitos com suas condições de trabalho, contraste marcante com a média de 68,4 % dos países da OCDE. A insatisfação com a remuneração é ainda mais pronunciada: 22,3 % dos professores brasileiros se declaram satisfeitos, contra 38,7 % na média da organização.

Em 2022, 10,3 % dos professores plenamente qualificados da educação primária e secundária deixaram a profissão por aposentadoria ou pedido de demissão, percentual superior à média da OCDE de 6,4 % registrada para 2024/25. A OCDE alerta que esses números são influenciados por diferenças na estrutura etária da força de trabalho, nas condições do mercado e na cultura profissional.

A pesquisa da Fundação Carlos Chagas, baseada nos microdados do Censo Escolar 2023 do INEP, acrescenta que cerca de 20 % dos docentes da educação básica trabalham em mais de uma escola, percentual que chega a 36 % no ensino médio e 34 % nos anos finais do ensino fundamental, ultrapassando 50 % em algumas redes estaduais. O estudo indica que a maioria prefere concentrar a jornada em uma única unidade, mas fatores como remuneração, tipo de contrato e organização curricular levam muitos a dividir o trabalho entre escolas.

Especialistas ressaltam que a solução passa por encarar a carreira docente como uma trajetória integrada, envolvendo formação inicial de qualidade, processos seletivos regulares, condições adequadas de jornada e remuneração, além de oportunidades de desenvolvimento profissional ao longo da vida do professor. Sem políticas que articulam esses elementos, o Brasil continuará enfrentando desafios para atrair, formar e reter docentes.