Conflitos internacionais têm apertado o abastecimento e encarecido o diesel, gerando reflexos na cadeia de transporte e na inflação brasileira. Desde fevereiro, a redução do tráfego no Estreito de Ormuz para menos de 15 % do normal elevou o preço do barril de US$ 65 para mais de US$ 100, e o diesel chegou a US$ 200 por barril, superando o preço do petróleo. Ataques ucranianos a refinarias russas levaram Moscou a restringir as exportações de diesel, agravando ainda mais a escassez.
No Brasil, a vulnerabilidade se manifesta em duas frentes: a dependência de importações – cerca de um terço do diesel consumido vem do exterior, historicamente da Rússia – e a política de controle de preços da Petrobras, que mantém o combustível abaixo do custo de importação, além de subsídios indiscriminados que beneficiam todos os consumidores, inclusive os de veículos de luxo. Essa estratégia, segundo o autor, desestimula a importação e transfere o ônus ao contribuinte.
A coluna sugere que a solução de longo prazo passa pela diversificação da matriz energética, com investimentos em biodiesel, biometano, gás natural para transporte pesado, ferrovias, cabotagem e maior capacidade de refino. Contudo, tais projetos dependem de regras estáveis e de preços livres, e não de intervenções de preço ou subsídios “esquizofrênicos”.
Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/coluna/123275/o-motor-que-move-o-mundo-esta-engasgando).
